← Todos os artigos

Onde o Claude Code me ajuda todos os dias: no design system e nos ecrãs dos produtos.

Data
8 de outubro de 2026
Autor
Nelson Jeronimo
Temas
IA, Figma, Design

Trabalho com o Claude Code ligado ao Figma todos os dias. Onde é que ele ajuda na construção do design system (tokens, grelha de 4 pontos, componentes) e no uso dele nos ecrãs dos produtos: ecrãs, casos-limite, auditorias, críticas, handoffs e protótipos. E o que tive de corrigir.

Todos os artigos

Onde o Claude Code me ajuda todos os dias: no design system e nos ecrãs dos produtos.

Trabalho com o Claude Code ligado ao Figma todos os dias. Onde é que ele ajuda na construção do design system (tokens, grelha de 4 pontos, componentes) e no uso dele nos ecrãs dos produtos: ecrãs, casos-limite, auditorias, críticas, handoffs e protótipos. E o que tive de corrigir.

Por Nelson Jeronimo · 8 de outubro de 2026

Slide 1: onde o Claude Code me ajuda todos os dias: no design system e nos ecrãs dos produtos.
Slide 2: ele lê o ficheiro do Figma, escreve nele e conta o que lá está.
Slide 3: tokens primeiro, em três camadas: primitivos, semânticos e componentes.
Slide 4: a grelha de 4 pontos: uma escala fechada, onde um valor fora dela é um erro que se conta.
Slide 5: componentes: ele conta o uso, move para a biblioteca e reduz variantes.
Slide 6: nos ecrãs: ecrãs reais, em desktop, tablet e telemóvel.
Slide 7: nos ecrãs dos produtos, o que lhe peço todos os dias: ecrãs, casos-limite, auditorias, críticas, handoffs e protótipos.
Slide 8: o que custou: tema e marca no mesmo eixo, os tokens antigos, uma regra que não aguentou e os sucessos silenciosos.
Slide 9: quatro regras que ficaram do projeto.
Slide 10: o que entra no sistema é decisão minha. Fala comigo.
01 / 10

Trabalho com o Claude Code ligado ao Figma todos os dias. Ele lê o ficheiro, escreve nele e conta o que lá está. Este artigo diz onde é que essa ajuda entra: primeiro na construção do design system, depois no uso dele nos ecrãs dos produtos da marca, o LMS e o ICP.

O projeto onde mais o uso é o do SkillUp, uma plataforma de e-learning B2B onde sou responsável pelo design de produto e pelo design system, para várias marcas. Não mostro ecrãs do produto: os desenhos são esquemas, com exemplos inventados.

Onde ajuda, numa tabela

Onde O que lhe peço O que fica comigo
Tokens Escrever os que faltam e religar os componentes Os nomes e as camadas
Grelha Encontrar os valores fora da escala A escala
Componentes Contar o uso, mover para a biblioteca, reduzir variantes O que entra na biblioteca
Ecrãs Tablet e telemóvel, e todos os estados O conteúdo e a hierarquia
Verificação Auditorias e críticas O que se corrige, e como
Entrega Handoffs e protótipos O que segue para desenvolvimento

Na construção do design system

Tokens: a fundação que ele respeita

Três colunas ligadas por setas: primitivos, com valores em bruto; semânticos, com nomes que dizem o papel, como bg-brand-solid; e um componente, um botão de exemplo, ligado só aos semânticos. Por baixo, o mesmo botão em quatro modos de tema e de marca.

Um token é um valor com nome. A fundação tem três camadas, e a regra entre elas é curta:

  • Primitivos. Os valores em bruto: as rampas de cor, a escala numérica, os tamanhos de letra. É a única camada onde existe um valor hexadecimal.
  • Semânticos. Nomes que dizem o papel e não a cor: text-primary, bg-brand-solid, border-brand. Só apontam para primitivos.
  • Componentes. Ligam-se aos semânticos, nunca aos primitivos.

No Figma, isto são quatro coleções de variáveis: os primitivos; os semânticos, onde vivem o claro e o escuro; as marcas, com um modo por marca; e uma coleção responsiva, com os modos desktop, tablet e telemóvel. Quando a biblioteca foi publicada, tinha mais de mil variáveis.

Onde o Claude ajuda. No trabalho de precisão que se repete centenas de vezes. O sistema partiu de uma base que já existia, e quando quis retirar a camada de cor antiga havia algumas centenas de tokens antigos, dos quais só umas dezenas tinham equivalente no nosso sistema. Escrevemos os que faltavam e ele religou os componentes. No fim, dezenas de páginas da biblioteca ficaram com zero ligações à camada antiga, confirmadas por uma contagem separada do script que fez as alterações.

Porque começo aqui. Um agente trabalha bem dentro de regras. Com um token para cada decisão, o que ele desenha sai dentro do sistema. Sem tokens, sai um valor parecido.

A grelha de 4 pontos: ele encontra o que foge

A escala de espaçamento desenhada como barras sobre uma grelha de 4 px: 4, 8, 12, 16, 20, 24, 32, 40, 48 e 64, com os nomes md, lg, xl e 3xl. Por baixo, quatro valores fora da escala e o valor para onde passaram: 10 para 8, 14 para 12, 18 para 16 e 22 para 20.

Uso uma grelha de 4 pontos. A escala de espaçamento é esta: 0, 2, 4, 6, 8, 12, 16, 20, 24, 32, 40, 48, 64, e continua. O 2 e o 6 não são múltiplos de 4, mas fazem parte da escala. Os tokens têm nomes de tamanho (spacing-md são 8, spacing-lg 12, spacing-xl 16, spacing-3xl 24), e cada margem, padding e intervalo usa um deles.

Onde o Claude ajuda. Nas auditorias. Numa delas, encontrou em componentes espaçamentos de 10, 14, 18 e 22. Nenhum existe na escala. Passaram para 8, 12, 16 e 20, o que mexeu as coisas 2 px. Um raio de 3 passou a 2. Com uma escala fechada, um valor fora dela é um erro que se consegue contar, e contar é o que ele faz depressa.

A tipografia não segue a grelha à risca: o texto de 14 tem entrelinha de 20, e o de 12 tem 18. Mantive a rampa que existia.

Componentes: ele conta o uso e faz a mudança

À esquerda, um ecrã em esquema com o mesmo bloco repetido três vezes. À direita, esse bloco como componente, e o que aconteceu no projeto: algumas dezenas de componentes locais movidos para a biblioteca, mais de mil instâncias a apontar para ela e nenhuma local; a etiqueta antiga tinha centenas de variantes e a nova tem cerca de uma centena.

Os componentes base já existiam. Os do produto saem dos ecrãs: só depois de os ecrãs existirem é que sei quantas variantes um componente precisa, e quais nunca chegaram a ser usadas.

  • Mover para a biblioteca. Algumas dezenas de componentes locais foram movidos para a biblioteca. Depois da troca, o Claude contou: mais de mil instâncias a apontar para a biblioteca, e nenhuma para um componente local.
  • Medir o uso. Pedi-lhe para ler no Figma que componentes os ecrãs usam, e quantas vezes. Um deles foi colocado à mão um punhado de vezes e aparece centenas de vezes dentro de outros componentes. É um número que ninguém adivinha.
  • Reduzir variantes. A etiqueta que herdámos tinha algumas centenas de variantes. A nova tem cerca de uma centena: estilos, tamanhos e cores, com um átomo privado que guarda a estrutura.
  • Procurar antes de construir. Numa só página, estivemos mais de uma vez para construir uma coisa que a biblioteca já tinha, com um nome que as nossas pesquisas não apanhavam.

No uso, nos ecrãs dos produtos

Três painéis por ordem: 01, a fundação, com amostras de cor, uma escala e letras; 02, os ecrãs, com o mesmo ecrã em desktop, tablet e telemóvel; 03, os componentes, com um botão, uma etiqueta, um cartão e duas linhas.

Com a fundação feita, o trabalho de todos os dias passa a ser desenhar ecrãs reais, com o conteúdo e os estados que cada produto tem, no LMS e no ICP, em três larguras. O que a biblioteca já tem usa-se. O que falta desenha-se no próprio ecrã, ligado aos tokens, e fica local ao ficheiro até passar pela revisão dos colegas.

Ao centro, a fundação: tokens e regras. À volta, os seis tipos de trabalho que saem dela: ecrãs, casos-limite, auditorias, críticas, handoffs e protótipos, cada um com um exemplo.

É aqui que peço mais coisas ao Claude:

  • Ecrãs. As versões de tablet e de telemóvel de um ecrã de desktop, com os mesmos componentes e tokens. Uma das páginas entregues para desenvolvimento tem mais de uma dúzia de cartões: cada ecrã nas três larguras.
  • Casos-limite. Uma página com todos os estados de um componente. Num cartão de pergunta, eram muitos, e ao catálogo faltava precisamente o estado mais recente.
  • Auditorias. Contar os valores sem token, página a página: numa passagem deu de nenhum a várias dezenas por página. Ou os nomes das camadas: algumas centenas, em vários milhares, tinham o nome que o Figma dá por omissão. Ou o contraste: várias centenas de verificações, nenhuma a falhar no nível AA, com os pares lidos do ficheiro de tokens e não de uma lista escrita à mão.
  • Críticas. Uma leitura do protótipo a 1280 e a 375 de largura. Uma delas apontou três botões primários iguais na mesma vista. A correção foi uma ação primária por lista.
  • Handoffs. Os tokens em CSS, o inventário de componentes, a especificação dos ecrãs e os fluxos do protótipo. No Figma, as molduras de entrega ficam sem nomes genéricos e sem camadas escondidas.
  • Protótipos. Uma aplicação React a sério, construída a partir desse pacote, e um Storybook. Os tokens do protótipo foram comparados com os do Figma: mais de uma centena de cores nos modos das marcas, todas iguais menos duas. Essas duas juntam cor e opacidade, e a comparação não as conseguiu ler.

Antes de cada alteração grande à biblioteca, fica uma versão com nome no Figma, para poder voltar atrás.

O que custou, e o que tive de corrigir

Tema e marca no mesmo eixo. Na primeira versão, o claro e o escuro partilhavam os modos com a marca: duas marcas e dois temas davam quatro modos, e uma terceira marca daria seis. As marcas ganharam uma coleção própria. Durante algum tempo, a marca ficou expressa em dois sítios, e um componente só se pode ligar a um.

O que vem com uma base herdada. Partir de uma base que já existe poupa os componentes base, mas traz os tokens dela. Faltavam categorias inteiras: não existia um único token para o estado desativado. A coleção antiga ainda não pôde ser apagada: sobram rampas e valores sem destino.

Uma regra que não aguentou. «O secundário fica um passo dentro do primário» deu um rosa forte no erro, ao lado de tons pálidos no aviso e no sucesso. As rampas de cor não são paralelas. Uma regra escrita como número de passo tem de ser conferida na cor que aparece.

Sucessos silenciosos. Há chamadas à API do Figma que não dão erro e deixam o resultado errado. O Claude mantém uma lista com dezenas. Numa auditoria feita depois de umas horas de alterações seguidas apareceram vários defeitos, todos introduzidos nessas horas. A regra que ficou: depois de qualquer alteração de estrutura, ler o estado de volta e contar.

O que fica comigo, e o que não medi

A ordem, as regras, os nomes e o que entra na biblioteca são decisões minhas e da equipa. O Claude executa, conta e avisa quando a contagem não bate certo.

Não medi quanto tempo isto poupa, e por isso este artigo não tem esse número. O que consigo mostrar é o que passou a ser contável: valores sem token, instâncias locais, pares de contraste.

Se queres montar ou arrumar um design system para trabalhar com IA, fala comigo.

Vamos criaralgo com IA?

WhatsApp +351 911 529 191 · Chamada para a rede móvel nacional